segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Coragem + medo = mudança

Às vezes eu paro e penso: “o quê que eu to fazendo?” Largando todos os meus portos seguros, meus amigos, meus pais, minha casa e minha vida já tão previsível pra me meter nessa selva, vivendo hábitos e culturas tão diferentes daquilo que eu sempre fui acostumada a viver.

Eu sei da onde tirei essa idéia. Ela surgiu todas as vezes que eu quis fugir. Era como se deixar todos os meus portos seguros fosse muito mais seguro, como se o imprevisível fosse muito mais fácil de lidar do que com aqueles sentimentos ruins. Não é heróico, mas faz sentido. Tenho tido muito mais períodos tristes do que felizes desde que me mudei pra São Paulo, confesso. Mas nenhum deles sequer beirou aquela angústia que me perseguia desde o fatídico acontecimento*.

Então tá melhor, né?! Tô tentando me convencer que sim. Neste momento sinto falta de uma terapia um pouco mais gabaritada do que simplesmente desabafar aqui neste blog. Tanta gente me diz que sair da casa dos pais, mudar de cidade, de emprego e de perspectivas, enfrentar o desconhecido é sinônimo de coragem e eu lhes devolvo a  pergunta: não seria muito mais corajoso permanecer onde eu estava e enfrentar meus medos e anseios do que fugir deles pra bem longe só pra fingir que já foram resolvidos?

Eu sempre quis morar aqui. Antes, muito antes de qualquer acontecido. Diante disso, quem venceu: a coragem ou o medo?



*Se você é novo aqui, leia as primeiras postagens ;)

segunda-feira, 7 de março de 2011

Terapia Intensiva - Parte I

Há seis meses atrás resolvi que em 2011 me daria de presente (de aniversário) algo diferente e que agradasse só a mim, excluindo assim a idéia de dar festas estrondosas e passar 6 meses pagando pro outros curtirem.
 
Como quando eu viajo empolgo, quando comprei a passagem para NY, aproveitando amigos que moram lá, resolvi que passaria o dia em Lima, no Peru, já que isto sairia "de graca". ANRRAM.
 
Acho que só me toquei de verdade que passaria necessariamente o dia em Lima quando pisei aqui. Pesquisei na internet, antes de vir, o que tinha de interessante na cidade, alguns comentários de brasileiros sobre a mesma e os pontos turisticos mais famosos e mais comentados. Ah. E o que se bebe aqui... na verdade isso foi sem querer, apareceu nos resultados da minha pesquisa e achei interessante anotar, afinal nunca se sabe!
 
Cheguei. Me perdi dentro do aeroporto (já era de se esperar alguém que nao fala um A em espanhol, sozinha, querendo ser entendida...!) porque queria sair e o povo queria que eu esperasse pelo próximo voo - 12h depois - trancafiada nesse lugar!! Enfim, conseguir passei pela migraçao feliz da vida, comprei um saco tamanho familia de M&M`s azul (que nao tem mais no Brasil) mais feliz ainda e fui.
 
Antes de vir, me veio à cabeça achar uma taxista mulher e foi isso que fiz. Belíssima intuiçao, foi a melhor escolha de todas!! E sabe o nome dela? Berta! Haha adorei! Pena que nao deu tempo de tirar foto com a Berta (a idiota aqui nao carregou a camera e ela acabou a bateria no meio do dia TOIN OIN OIN), mas Berta foi mega fofa o tempo todo, atenciosa e cuidadosa. Valeu cada centavo da corrida e o almoço =)
 
Bom, lá fui eu conhecer Lima, começando pelo centro historico e antigo da cidade. A primeira impressao que tive nao foi das melhores, pois os onibus (que por sorte decidi nao pegar) que via nas ruas estavam DESTRUIDOS e os carros, em sua maioria velhos e feios. As ruas sao apertadas e o transito louquissimo. Mas logo que chegamos ao centro mesmo, aos monumentos e prédios historicos, fiquei muito bem impressionada. É tudo antigo mas muito conservado, cada predio que meu pai (admirador dessas coisas "velhas") ficaria maluco!! Infelizmente, segundo a Berta o centro é "peligroso" portanto a maior parte das fotos foram tiradas de dentro do carro, com o vidro fechado, e com a "carteirita" - termo usado pela Berta pra apelidar minha bolsa que mais parece uma mala hahaha - nos pés.
 
Mas em duas praças, as principais, desci e tirei fotos, uma delas inclusive com ajuda de uma guardinha simpatissíssima que deve ter feito mil angulos de mim (nao consigo ver pois a camera permanece sem bateria). E antes de passarmos à parte mais nova e moderna da cidade, paramos no centro pra comer comida típica daqui, pedido fofamente atendido pela Berta, com direito a Pisco Sour e Inca Kola, bebidas típicas daqui, com e sem álcool, respectivamente.
 
Na parte mais nova mais surpresa. Outra cidade, outros carros, outra vibe. Uma cidade limpa, arquitetonicamente moderna, mais segura e com direito a paradas em todos os pontos turísticos, incluindo a praia e um shopping, Larcomar, construído na beira das rochas, com uma belíssima vista pro mar. Lá encontrei todo o meu voo BSB-LIM, o que, diga-se de passagem, foi mais uma surpresa. Achei que eu era a única louca que escolheria um voo que ficasse 12h num lugar pra realmente conhece-lo. Só sou mais louca porque ainda sou a única sozinha...
 
Depois dos bairros de Miraflor e San Isidro - este lembra aqueles filmes americanos com casas sem portao, muito lindo! -, fomos ao Porto Callao, que já me pareceu uma terceira cidade. Que doidera! Cada lugar era como se fosse uma cidade diferente. Este porto é o principal da cidade, que eu consegui ver de cima, antes de pousarmos, e pensei "xiii a praia que vi ao lado do aeroporto no Google Maps era isso? F****", confesso! É simplesmente gigantesco, toma conta de kms de praia (bem feia por sinal), e movimenta o bairro La Punta com filas e mais filas de caminhoes que pretendem descarregar suas cargas nos navios.
 
No fim das contas Berta me passou mais medo dizendo que a noite a cidade ficava mais "peligrosa" e eu acabei voltando pro aeroporto antes do esperado. Daí pra enrolar to aqui, me abrindo na minha auto-terapia. Pensando bem, eu podia ter me juntado ao tráfico peruano e estar roubando ou matando, mas nao, to aqui contando história. Minha história. História do início de uma terapia intensiva. E lá vou eu pra segunda parte!

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

( )

E se pra fugir eu simplesmente não pudesse mais ficar aqui?

Às vezes, e ultimamente tem sido quase sempre, sinto que não vai dar mais. Mas e aí? Não tá saindo como eu pensava e não chega nem perto do que eu pretendia para minha “adultisse”.

Ter responsabilidades não é assim a melhor coisa do mundo. Mas quando penso que pra tudo que ganhamos devemos, necessariamente, perder algo, o inverso deveria valer como verdade. Não? Perco a graça da infância, ganho os encantos da adolescência. Perco os encantos da adolescência, ganho o que em ser adulta? Poder tomar conta da minha vida deveria ser um ganho, mas não é. Dá um trabalho que eu preferia ter deixado a cargo da minha mãe e do meu pai. Pra sempre, porque não? Ia ter gente que optaria por não ser assim... mas meus pais são jóia demais e dariam conta numa boa. #fail

É, mas infelizmente “faz parte da vida”, “tombos são para aprendermos” e mais bla bla bla’s. Ah! E não se esqueça: nego pode te f.. enfim! As pessoas (queridas) que passam nas nossas vidas, “nos fazem mal” para aprendermos a não confiar em qualquer um e, às vezes, nem mesmo nas nossas intuições (aliás, quem criou isso tava com maldadinha no coração... mas isso fica pra um outro post) e alguém quer que eu não só acredite que faz parte de um plano - diabólico por sinal -, mas que também AS PERDOE?

Bom, não esqueçam de me avisar quando tiver promoção de coelhinhos da páscoa e papai noéis por aí, ok?

Eu prefiro sair daqui e acreditar que novas pessoas (ok, depois dos ensinamentos eu tomarei mais cuidado ao confiar nas pessoas, principalmente nas novas) surgirão com boas intenções, sem sininhos e coisas mágicas. Somente com uma boa proposta profissional e pessoal, em outro lugar, bem longe daqui, da minha mente. Uai é minha filha, de quem você tava achando que eu tava fugindo? Sabe assim, a consciência da Dori em Procurando Nemo?
- “Oi, quem é você?”
- “Eu sou sua consciência”
- “Xiii, a Mariana saiu, foi procurar a alegria por aí”.

Pronto, fim de papo. Tchau consciência! Eu não preciso de você pra onde vou.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

MPNF – O resgate da fé


Maria Passa Na Frente. Isso que significa essa frase que tem me acompanhado arduamente em pouco menos de duas semanas. Escuto isso há muito tempo já. Minha avó mineira é bem religiosa e usa essa frase já perdi a conta desde quando. Mas a verdade é que eu nunca tinha me dado conta do valor e do significado que pode ter algo que dizemos se tivermos, no mínimo, fé. E essa frase resume bem o que eu quero dizer.

Aquele meu problema, razão pela qual este blog nasceu, ainda não foi solucionado e, como faz parte de coisas que eu lido no meu dia-a-dia, preciso enfrentá-lo mesmo quando não tô nem afim de lembrar que um dia ele existiu. Esse é um dos motivos que mais me chateia e que acaba me afetando de várias formas.

Meu corpo tem uma mania feia de botar sempre a culpa na imunidade, e esta, já cansada e desmotivada, tem se deixado influenciar por parasitas que se aproveitam de suas “baixas”. Pode ser da coisa mais simples àquelas que quase complicam, mas as doenças, ultimamente, tem me rondado bastante e me derrubado como um dardo num elefante: discreta e silenciosamente. Quando vejo já estou no chão.

Como não dá para me “apegar” nos médicos (os odeio, devo confessar), me apeguei em outra força maior para me ajudar desta vez, além desse meu espaço de desabafo. A fé. E é nela que tenho me apoiado desde que “escutei” – na verdade li, pois a conversa foi online – a oração que segue a frase.


MARIA PASSA NA FRENTE 

Maria passa na frente e vai abrindo estradas e caminhos. 
Abrindo portas e portões. 
Abrindo casas e corações. 
A Mãe vai na frente e os filhos protegidos seguem seus passos. 
Maria, passa na frente e resolve tudo aquilo que somos incapazes de resolver. 
Mãe, cuida de tudo o que não está ao nosso alcance. 
Tu tens poder para isso! 
Mãe,vai acalmando, serenando e tranqüilizando os corações. 
Termina com o ódio, os rancores, as mágoas e as maldições. 
Tira teus filhos da perdição! 
Maria, tu és Mãe e também a porteira. 
Vai abrindo o coração das pessoas e as portas pelo caminho. 
Maria, eu te peço: PASSA NA FRENTE! 
Vai conduzindo, ajudando e curando os filhos que necessitam de ti. 
Ninguém foi decepcionado por ti depois de ter te invocado e pedido a tua proteção. 
Só tu, com o poder de teu Filho, podes resolver as coisas difíceis e impossíveis. 
Amém!!!


Não é minha intenção pregar nenhum tipo de religião, principalmente a mim mesma; afinal já freqüentei alguns diferentes tipos de costumes, celebrações, enfim; então não vou entrar em detalhes de como a MINHA fé, em específico, tem me ajudado a superar muitos medos e dúvidas. Mas é a aquela velha história “no creo em las brujas, pero que las hay, las hay”.

*Com o perdão do “espanhol” ou não, pois o meu é inexistente. Esse veio diretamente do Google.

domingo, 7 de novembro de 2010

Auto-terapia

“Ai ai ai ai.. está chegando a hora....”

E eu aqui, ainda pensando se to fazendo a coisa certa. Pedindo um sinal dizendo de qual é, se não tem mesmo outra possibilidade... ... nada. Ok. Ainda tenho uma noite na companhia do meu melhor conselheiro – meu travesseiro.

É que quando nova, decorei a frase de professores, tios, alguns amigos e até de personas non gratas: “você é linda! Só precisa emagrecer um pouquinho”. E aí começa minha jornada tentando organizar a vida entre conselhos e princípios.

Desde que finalmente consegui emagrecer; pensando ser esta a solução para todos os meus problemas; tenho tentado afastar esse fantasma da infância do meu jeito de ser, me aproximando bastante lentamente de ser uma pessoa segura comigo mesma. Pensei em fazer terapia, apesar de os meus pais, antigamente, serem tão retos que não apoiavam. Pensei em me transformar em modelo achando que assim venceria meus mais altos limites. Pensei, e tentei, virar uma garota popular no colégio. Pensei, pensei, pensei. E a vida foi caminhando, me mostrando que não era bem assim.

Até uns dois meses atrás eu havia sentido, em ocasiões bem específicas, que estava amadurecendo numa velocidade incontrolável, trazendo com isso, finalmente, alguma segurança – uma sensação absolutamente nova para mim. Quando de repente aquela expressão “tiraram meu chão” fez todo sentido e me vi regredir séculos dessa minha auto-terapia que dura anos.

Sendo bem sincera, quando a rasteira me foi passada me fiz de forte e saí buscando soluções, investigando, até discutindo a situação. Só que isso não durou, e quando me dei conta estava acabada, arrasada, estragada. Por dentro e por fora.

Foram os 5kg adquiridos mais rápidos de toda minha vida. Pior que eu não consigo me lembrar como, nem quando. Precisei parar e fazer uma análise sucinta de como vinham sendo meus dias desde o “ocorrido”, e finalmente caiu a ficha: a depressão, aquela com quem luto há tanto tempo, que eu achei que não viria mais; não depois de “tanta maturidade”; simplesmente voltou. Arrastando segurança, auto-confiança, pseudo-maturidade e até a imagem que eu enxergava no espelho.

E agora? Agora assumo que não consigo mais me auto-tratar e busco ajuda, qualquer que seja. Essa rasteira me derrubou de tal maneira que sem ajuda sinto que não vou conseguir me levantar.

E esse é só o primeiro capítulo dessa árdua novela. Espero tomar a decisão certa para resolvê-la.

Não posso dizer o que é, apesar de querer botar pra fora, xingar, mostrar quão cruel pode ser o ser humano. Mas... vai que alguém lê ;)